30 de jun de 2014

Pop, Girls, Etc #09 - Prezadíssimos Ouvintes

A ideia central dessa mixtape nasceu de uma bobagem: a de perceber como, às vezes, as músicas tem os mesmos nomes mas em línguas diferentes (como acontece nas duas primeiras canções dessa mixtape). A partir da junção delas, nasceu a vontade de fazer uma lista cheia de faixas suingadas, de sabor negro (ou quase negro, porque Roberto e Gotye são branquelíssimos). No fim, ela quase ganhou cores politizadas com dois clássicos do rap nacional, "Política" (Athalyba & a Firma) e "1 por Amor, 2 por Dinheiro" (Racionais MCs e Rosana Bronks), mas soava pouco redonda. O alívio chegou aos 45 do segundo tempo, com o chamado de ordem de Science ("Uma cerveja, antes do almoço, é muito bom pra ficar pensando melhor!") e o apelo de Nina Simone. Chega mais: afinal, uma mixtape antes do almoço também pode ser boa pra ficar pensando melhor. 

Pop, Girls, Etc #09 - Prezadíssimos Ouvintes

Thinkin Bout You - Frank Ocean
Pensando em Você - Pearls Negras
Let's Stay Together - Al Green
As Curvas da Estrada de Santos - Roberto Carlos
I Feel Better - Gotye
Tell Me a Tale - Michael Kiwanuka
May This Be Love - Jimi Hendrix
Prezadíssimos Ouvintes - Itamar Assumpção
A Praieira - Chico Science & A Nação Zumbi
Don't Let Me Be Misunderstood - Nina Simone

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Ouça as outras mixtapes Pop, Girls, Etc.
#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé
#05 - Häagen Dazs
#06 - Dê
#07 - Menina
#08 - Lenço Enxuto

26 de jun de 2014

Entre Caracas e Paramaribo

O que uma banda deve fazer quando um de seus principais integrantes tem de deixar o barco? No caso dos paulistanos dos Lestics, a melhor opção parece simplesmente ter seguido em frente. Depois de ver Umberto Serpieri, tecladista e membro fundador do grupo, deixar a cidade de São Paulo, o agora trio Lestics (Olavo Rocha, letras e voz; Marcelo Patu, baixo e violões; Marcos Xuxa, bateria) volta à tona com um de seus melhores trabalhos, o temático “Seis” (download gratuito no site oficial).

Lançado em maio, “Seis” (o sexto trabalho do grupo, na ativa desde 2007, traz apenas seis canções) mostra uma expansão na sonoridade da banda: dos flertes acústicos com o folk, o Lestics agora se impõe com arranjos elaborados, com a presença de cordas, sanfonas e metais (vale prestar atenção no marcante trombone de Bocato em “Entre Caracas e Paramaribo”, que abre o disco). Apesar de ter poucas faixas, o grupo não encara “Seis” como um álbum. “É um disco fechado, com começo, meio e fim. Hoje em dia, as pessoas tendem a ouvir só as primeiras faixas de um disco. Se ele for curto, cada música tem mais chance de receber atenção”, diz Olavo Rocha ao Scream & Yell, em entrevista por email.

Na entrevista a seguir, Olavo fala sobre a produção e as inspirações para a realização de “Seis”, retrato também de uma banda que já não pode mais ser chamada de iniciante, mas, que, como a maior parte dos bons grupos musicais do País, não consegue se sustentar com suas canções, apesar de sua dedicação para isso. “A banda não é um hobby, é um trabalho. Para ganhar dinheiro e bancar o trabalho com a música, tenho outro trabalho. A banda é um trabalho com o sentido de produzir alguma coisa, uma ideia complicada de se assimilar quando se enxerga o capitalismo como uma força da natureza (não é)”, comenta o vocalista. “Costumo dizer que não vivo da música, mas sim para a música”. Com a palavra, Lestics.

Bati um papo por email com um dos meus letristas favoritos da atual geração do pop brasileiro, o Olavo Rocha, dos Lestics. "Seis", o disco que os paulistanos lançaram há coisa de um mês, é uma das coisas mais bonitas que eu ouvi nesse ano, e mostra uma nova fase na banda após a saída do Umberto Serpieri, que criou a banda com o Olavo lá em 2007. O resultado da entrevista, com ideias bacanas sobre música caipira, arranjos, streaming e o capitalismo, você pode ler no Scream & Yell.

24 de jun de 2014

O Resto é Ruído #48 - André Forastieri

Uma das mais especiais edições do O Resto É Ruído Podcast que eu participei até aqui. 

Eu, Elson Barbosa, Amanda Mont'Alvão, João Vitor Medeiros e Fernando Augusto Lopes dividimos uma meia dúzia de cervejas, empanadas e pratos de peixe chileno com André Forastieri, em um papo sobre Bizz, Folha de S. Paulo, General, a "morte do rock", games e muitas teorias, risadas e bobagens.

De todo o programa, uma frase ficou na cabeça pelos últimos dias. "Steve Jobs é o John Lennon dos dias de hoje". É só uma das ótimas frases de Forastieri. Chega mais pra ouvir aqui embaixo, em um papo delicioso, que, incluso as músicas, tem quase três horas. Mas vale. Eu garanto. (Só não digo que devolvo porque não consigo devolver seu tempo, caro leitor/ouvinte). 

 PS: Como de costume, mandei ver "o novo pop português" na trilha do programa. Os lembrados da vez foram os rapazes do Dead Combo, com "Waiting for Nick at Rick's Café".


18 de jun de 2014

Bilhões em Jogo

Na última semana, o mundo dos games mostrou mais uma vez porque é um dos setores mais rentáveis da indústria do entretenimento. Considerado o maior evento da área dos jogos eletrônicos, a Electronic Entertainment Expo (E3) chegou à sua vigésima edição, transformando a cidade de Los Angeles em palco para o anúncio de grandes lançamentos, prontos para ocupar os controles, telinhas e telonas dos jogadores nos próximos anos.

Se em 2013 a feira foi marcada pelo anúncio de uma nova geração de videogames, liderada por PlayStation 4 (Sony) e Xbox One (Microsoft), este ano foi a vez dos novos títulos que deverão atrair os jogadores para estes consoles. No geral, o que se viu foi uma aposta em nomes mais conhecidos dos fãs.

Respire fundo: foram anunciadas sequências ou reinvenções de Zelda, Call of Duty, Pokemon, Sonic, Tomb Raider, FIFA, Assassin’s Creed, Star Wars, Mortal Kombat, Halo, Battlefield, Civilization, Metal Gear Solid, Doom…

A maior feira de games do mundo e a batalha dos consoles foram motivo de outra matéria principal do Link de segunda-feira (o "Link no papel", como a gente diz por lá). Dessa vez, dividi os trabalhos com o parceirão Murilo Roncolato ao tentar mostrar as tendências desse setor da indústria do entretenimento que já fatura mais que música e cinema juntos e que só deve crescer nos próximos anos. Além disso, demos uma geral em números bacanas e no sistema de funcionamento da indústria de games.

Pra quem quiser mais, vale também acompanhar o Que Mario?, blog que eu, o Murilo e o Luiz Fernando Toledo, repórter de Educação do Estadão, fazemos juntos. 

17 de jun de 2014

Sem Querer, Querendo...



Lá vem o Chaves, Chaves, Chaves… todos atentos de olho no videogame! Pelo menos é o que espera a produtora mexicana Slang, responsável pelo game Chaves Kart, que chega às lojas brasileiras nesta terça-feira, no mesmo dia do jogo entre Brasil e México pela Copa do Mundo. Disponível para PlayStation 3 e Xbox 360, o jogo coloca o menino do barril, Quico, Professor Girafales e outros personagens da turma criada pelo comediante mexicano Roberto Bolaños para correr em pistas divertidas, no melhor espírito Mario Kart.

Entretanto sua semelhança extrema com o jogo de corrida da Nintendo é talvez a maior falha de Chaves Kart, especialmente no momento em que Mario e seus amigos também voltam às pistas no Wii U. O formato dos dois games é extremamente parecido: circuitos simples se agrupam em torneios, que, ao serem vencidos, podem ser desbloqueados – bem como alguns dos personagens da turma de Bolaños. As pistas também lembram outra característica importante de Mario Kart, ao relembrar episódios específicos (Acapulco, Tamagandapio) e personagens (a Bruxa do 71 é tema de uma das corridas).

A Turma do Barril criada pelo mexicano Roberto Bolaños ganhou seu próprio jogo de Kart, lançado no Brasil na terça-feira, 17. Fiz uma análise rápida dos pontos fortes e fracos de Chaves Kart, que está disponível para PS3 e Xbox 360 e custa R$ 100. Para mais novidades de games, repito: dê uma olhada no Que Mario?, o blog de games que eu tenho com o Murilo Roncolato e o Luiz Fernando Toledo no Link. 

12 de jun de 2014

Fazendo Origami

FOTO: Reprodução
Não foi criança quem nunca dobrou papel na escola, fez um aviãozinho pra jogar na cabeça do colega de sala ou um barquinho pra nadar na correnteza da chuva. Mas, com os tempos modernos e digitais, nem sempre ficar dobrando papel a esmo pode ser uma boa ideia. 

Entretanto, se você continua gostando de origamis e coisas assim, não tem problema: você pode se divertir com o Paperama, um jogo muito divertido lançado há cerca de um mês para Android. 

 No melhor esquema de pontuação com uma, duas ou três estrelas, consagrado por jogos mobile como Candy Crush Angry Birds, o Paperama tem três fases, cada uma com 72 níveis diferentes, que vão de coisas simples como "dobre um quadrado" até "faça um cisne". Se você quer saber mais sobre o game, assista o vídeo que nós gravamos explicando como ele funciona.

 

 Quer baixar o Paperama? Clique aqui.  Não consegue ver o vídeo? Clique aqui.

(Originalmente publicado no Que Mario?)

10 de jun de 2014

Pop, Girls, Etc #08 - Lenço Enxuto

A mixtape dessa semana nasceu como perfeita justaposição à anterior; ou quase: se a da semana passada era a Menina, com cinco vozes femininas como destaque, agora é a vez dos homens falarem sozinhos. A seleção, entretanto, não responde apenas por quaisquer cantantes: são caras e canções que, de certa forma, sempre volto a ouvir em alguns momentos específicos, falando sobre o ser masculino, dando conselhos ou simplesmente cantando sobre amor. 

É o mestre Bruce Springsteen falando sobre homens pobres que querem ser ricos e ricos que querem ser reis, é John Lennon dando um toque pra segurar a barra ou Jason Pierce contando uma história sobre amor e fogo. É Helio Flanders dizendo que o que importa é o que te quebra em duas cidades ou Beto Só declamando uma linda balada sobre a questão mais contemporânea de todas: o tempo contra nós. E é a dupla Samuel Úria (autor de "Menina", que dava título à última mixtape) e Manel Cruz (vocalista dos Ornatos Violeta, presentes na primeira edição da PGE) dividindo a faixa título, "Lenço Enxuto", do último disco de Úria, lançado no ano passado. 

Pop, Girls, Etc #08 - Lenço Enxuto

Bruce Springsteen - "Badlands"
Samuel Úria & Manel Cruz - "Lenço Enxuto"
Beto Só - "O Tempo Contra Nós"
Mauro Motoki - "História Geral"
Gram Parsons - "She"
John Lennon - "Hold On"
Vanguart - "Para Abrir Os Olhos"
Rod Stewart - "Reason to Believe"
Nick Cave - "Into My Arms"
Spiritualized - "Too Late"

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Ouça as outras mixtapes Pop, Girls, Etc.
#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé
#05 - Häagen Dazs
#06 - Dê
#07 - Menina

PS: A foto da capa desta mixtape é talvez a mais recente usada até agora: tirei-a há uns dois meses, voltando pra casa depois de um fechamento em uma sexta-feira à noite. Velhinhos no metrô são uma grande paixão fotográfica deste que vos fala. 

4 de jun de 2014

Cinco Fotos: Primavera Porto

Xis!
Guardo até hoje no pulso direito a pulseira de entrada do Primavera Porto (nome oficial: Optimus Primavera Sound), festival que cobri para o Scream & Yell em Portugal no ano passado e que rola a partir dessa quinta-feira em Portugal, com novo nome: NOS Primavera Sound. Meu saudosismo, que movimenta essa seção Cinco Fotos, pede que eu coloque aqui algumas das minhas imagens favoritas do festival, que rola no Parque da Cidade, em Matosinhos. Vamos lá?

3 de jun de 2014

Melhor Hambúrguer da Cidade: Rock'n Roll Burger

Rua que dá nome a um dos primeiros grandes rocks compostos em solo pátrio, a Augusta é talvez o logradouro com maior concentração de hamburguerias ao longo de sua extensão, para não falar nos bares, puteiros e inferninhos que se dedicam ao ~bom e velho rock'n roll~. Dito dessa maneira, parece até natural a existência de uma casa chamada Rock'n Roll Burger no coração do Baixo Augusta, coisa de uns cem metros para baixo do Beco e do antigo Studio SP (hoje, Da Leoni Bar). Há tempos que eu vinha marcando de cravar mais esse lanche na lista do MHC, especialmente depois de saber que o cardápio era cheio de trocadilhos com nomes de artistas, bem como o grande X-Maru, de Joaçaba, que contém lanches como os Ovos Baianos, Kurt Cobacon e David Boi (saiba mais aqui).


A Música na Nuvem

Na Suécia, o fenômeno do download ilegal de música que estourou no início da década passada com serviços como Napster, Kazaa e SoulSeek, foi especialmente forte. O país contou com banda larga de qualidade muito antes que os Estados Unidos, com velocidades como 10 MB já comuns nessa época. “Fui da primeira geração que passou a adolescência na internet”, lembrou em entrevista ao Financial Times, Daniel Ek, fundador do Spotify. “Vi tudo isso dez anos antes de todo mundo”.

Antes de fundar o Spotify em 2008, Ek foi CEO do uTorrent, ferramenta de compartilhamento de arquivos condenada pela indústria. O executivo só tinha 24 anos, mas já acumulava uma longa experiência em negócios, iniciada com uma pequena empresa de design aos 14. Segundo Ek, músico desde a infância, o Spotify surgiu para solucionar uma situação em que “você tinha um produto legal que era pior que o roubado”. Na Suécia, onde música é produto nobre na pauta de exportação, pode-se imaginar a preocupação causada pelo consumo ilegal de música. “Me perturbava que a indústria musical tinha descido pelo ralo, apesar de que pessoas estavam ouvindo mais música do que nunca”, disse Ek à Forbes.

No começo de junho, a chegada do Spotify ao Brasil foi motivo de uma matéria principal da edição impressa do Link, na qual eu tive a honra de fazer uma tabelinha com o Camilo Rocha, meu editor no Estadão. Além da discussão sobre o serviço de streaming, eu e o Camilo ainda falamos com gente bacana da indústria sobre grana, música digital, nuvem e "o oceano horizontal de irrelevância". Lá no Link, além de ler a matéria principal, você pode conferir boas conversas com o Marcelo Jeneci, o produtor Pena Schmidt e a executiva sueca responsável por liderar o serviço aqui no Brasil.

1 de jun de 2014

Pop, Girls, Etc #07 - Menina

A edição número 7 da mixtape mais charmosa, fina, elegante e sincera dessas paragens chega, de novo, com um cheirinho de alecrim: a cantora lusa Márcia empresta a sua "Menina" para dar título à lista, enquanto o grande Legendary Tigerman relê o mestre Daniel Johnston com a ajuda de Cibelle no fim da lista, com "True Love Will Find You in the End". 

Além disso, tem a fofa Jennifer Souza dedicando a sua "Para Kerouac" (ela toca dia 24 de junho no projeto Prata da Casa, no SESC Pompeia, curado pelo parceiro Marcelo Costa), os veteranos do Luisa Mandou Um Beijo com a cinematográfica "Anselmo" e o bluezaço da Tedeschi Trucks Band, "Midnight in Harlem". E tem uns meninos bons por aí que vieram da praia. Ouçam vocês mesmos. :)

Pop, Girls, Etc #07 - Menina

"Para Kerouac" - Jennifer Souza
"Menina" - Márcia & Samuel Úria
"Anselmo" - Luisa Mandou Um Beijo
"Midnight in Harlem" - Tedeschi Trucks Band
"The Bus" - Peixoto & Machado
"This is the One" - The Stone Roses
"I Saw the Light" - Todd Rundgren
"Feel a Whole Lot Better" - Tom Petty
"Don't Worry Baby" - Beach Boys
"True Love Will Find You in The End" - Legendary Tigerman & Cibelle

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#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé
#05 - Häagen Dazs
#06 - Dê

PS: A foto da capa desta seleção foi tirada no Miradouro de Santa Luzia, um dos meus lugares favoritos de Lisboa. Próximo ao Castelo de São Jorge, o Miradouro oferece uma vista incrível do Tejo. A garota é anônima, mas ouvia naquele dia as canções de bossa nova de um violonista qualquer que as tocava por ali.