30 de abr de 2012

Imunização Racional

Existem certos artistas, que, graças à contundência de sua obra, merecem ser vistos ao menos uma vez na vida. João Gilberto é um deles, e Beck defende que a mesma ideia valha para Bob Dylan. Talvez seja pretensioso e um pouco oportunista afirmar, mas os Racionais MCs - e mais especificamente, Mano Brown - pertencem a essa galeria, pela força poética de suas canções, expandindo os limites de seu universo musical. E foi nesse espírito que os vi ontem, na último de uma sequência de quatro apresentações, na choperia do SESC Pompeia.

25 de abr de 2012

Tempos de Maracujá


Sai amanhã "Tempos de Maracujá", clipe novo da banda Nevilton - uma das minhas favoritas da geração mais recente do rock brasileiro. De Verdade, disco de estreia deles, foi lançado ano passado e é um dos favoritos da casa. No final do ano passado, bati um papo bem bacana com o Nevilton, vocalista do grupo, para o Scream & Yell no final do ano passado. Quem tiver fôlego de ler, confere lá no Scream!

23 de abr de 2012

"The Weight" em cinco versões

Nunca fui um grande fã da The Band - por nunca tê-la escutado direito (falha que estou corrigindo, já aviso) - então pouco posso dizer sobre a morte de Levon Helm. Mas desde que ouvi "The Weight" pela primeira vez, percebi que a canção tinha algo diferente, e sempre a deixei próxima de mim nas horas necessárias. É o tipo de música cujo refrão merece ser cantando a plenos pulmões, como se para expulsar as más vibrações (alô, Brian). Aproveito a ocasião para deixar cinco diferentes versões de uma das músicas favoritas da casa. We hope you enjoy the show.



Com a The Band, no documentário "The Last Waltz".
 

19 de abr de 2012

As Canções Que Você Não Cantou Pra Mim

Parabéns para o Rei que ele merece! Hoje, 19 de abril, comemora-se o aniversário de 71 anos do cantor Roberto Carlos. Em homenagem a ele (ou não), o Pergunte ao Pop selecionou dez canções que o amigo de fé, irmão camarada de Erasmo Carlos deveria adotar em seu setlist. 

Nove delas são levadas a sério - já a canção que encerra a lista, "Wave", é uma piada: Roberto deveria cantá-la na Bienal do Samba de 1969, mas desistiu de defendê-la no festival organizado pela TV Record para viajar em lua de mel com sua esposa da época, Nice. A história está em "A Era dos Festivais", livro que é obrigatório para todo amante de música brasileiro, escrito por Zuza Homem de Mello. 

"Desolado com as versões dos americanos para as letras de suas músicas, o próprio Tom decidiu escrever uma letra em inglês para 'Onda', intitulando-a 'Wave', e também pediu a seu novo parceiro, Chico Buarque, que já tinha transformado 'Zingaro' em 'Retrato em Branco e Preto', uma letra em português. Chico quebrou a cabeça, tentou várias vezes, mas não conseguia ultrapassar o primeiro verso, "Vou te contar". Após inúmeras cobranças, Tom, desanimado, resolveu escrever ele mesmo os versos de "Onda",que depois enviou para a Bienal. Roberto Carlos era o escalado para defendê-la, mas no dia da primeira eliminatória, 12 de maio, ele desembarcava em Nova York com Nice, sua primeira esposa, em viagem de lua-de-mel, de onde seguiu para Las Vegas, sem tempo de se preparar para defender a música. Não entrou na primeira eliminatória, em que estava escalado, nem na terceira, para a qual foi transferido, e assim ficou fora da Bienal (...)".

Com vocês, a lista (que graças à falta de acervo do Grooveshark, teve de não contar com "Agridoce", do Pato Fu, substituída por "Me Adora", da Pitty". É uma brasa, mora?

PS: "Wave" foi gravada por Roberto junto com Caetano Veloso na homenagem a Tom Jobim, como bem lembrou o amigo André Machado (valeu, Dé!). Mas mesmo assim, permanece aqui pela falta de "espírito oportuno" do rei.

As Canções Que Você Não Cantou Pra Mim by Bruno Cordeiro Capelas on Grooveshark

17 de abr de 2012

Scream & Yell: Entrevista com Letuce


Meu bate papo com a dupla dinâmica Lucas e Letícia, que formam a banda Letuce, saiu no Scream & Yell hoje. Gravei a conversa com eles em março, quando passaram em São Paulo para um show no Studio SP. Na pauta da entrevista, além de "Manja Perene", disco lançado em fevereiro pela banda (um dos melhores do ano até agora), o casal ainda falou sobre intimidade, sexo, Twitter e cantar em outras línguas. Vê lá!

Foto por Liliane Callegari

Bring on the Dancing Horses



No sábado (e também no domingo), o cantor Ian McCulloch passou pelo SESC Pinheiros para dois bonitos shows acompanhado de um quarteto de cordas, uma guitarra e um teclado. Assisti à apresentação do sábado e saí de lá comovido, emocionado e curiosíssimo para fuçar a carreira do Echo & The Bunnymen - banda que fez um dos meus discos favoritos, Ocean Rain, é dona de um dos melhores nomes de disco do mundo, Songs to Learn and Sing, mas que nunca conheci muito além disso.

Ian McCulloch alternou canções de sua carreira solo com grandes petardos de sua banda - três deles registrados abaixo nesse post - e músicas que podem estar em seu próximo álbum, caso da fofa "Somewhere in My Dreams", além de registrar uma versão interessante para "I'm Waiting for the Man", do Velvet Underground. Com apenas sete músicas, o show de Ian McCulloch já teria sido melhor que meio lineup do Lollapalooza.

14 de abr de 2012

Do Outro Lado da Cidade

À primeira vista, a ideia parecia excelente (e foi): comemorando o aniversário de Roberto Carlos, no próximo dia 19 (aguardem, vai ter coisa por aí), o SESC Belenzinho organizou uma série de shows com cantores da nova geração interpretando as canções do Rei - hoje tem Lafayette e os Tremendões, e no final do mês, Teresa Cristina. Quem abriu a série, porém, foi o último romântico Marcelo Jeneci, em filiação mais que comprovada. Em pouco mais de uma hora, Jeneci emocionou os presentes, e comprovou: pode existir amor em SP, desde que seja dentro de uma canção de Roberto Carlos. 

10 de abr de 2012

Lollapalooza - Dia 2 (Domingo)

O que se vai ler ao seguir (e no post anterior) é um misto de crítica, relato pessoal e diário de bordo dois dias de Lollapalooza. Para não cansar o leitor (e deixar o blog mais dinâmico) dividirei o texto em duas partes - uma para o sábado, a outra para o domingo. Fotos: Público e Foster (Liliane Callegari), Chuva (Camila Leal) e Arctic Monkeys (Focka). A parte que se segue é a do domingo. Boa leitura!



Faltava uma hora para o domingo quando o Foo Fighters encerrou seu show - mas o dia ainda estava longe de acabar. A volta para casa prometia ser tranquila, com tempo suficiente para pegar o Metrô e chegar em São Caetano antes das duas da manhã. Vale a consideração: admirável o esforço do Lollapalooza em tentar fazer um evento que terminasse em um horário no qual o transporte público ainda funcione de maneira regular. A organização do festival só não contava com a astúcia do transporte de São Paulo: o Metrô Butantã, mais próximo ao Jóquei Clube, ficou com apenas uma de suas portas abertas a partir da meia-noite, dificultando e muito o embarque e o desembarque de passageiros (no domingo, a Linha Esmeralda, que corta a Marginal Pinheiros, próxima à região do show, ficou desativada, também sendo um empecilho para os fãs). O trânsito da região também ficou caótico, com especial atenção para as avenidas Vital Brasil e Eusébio Matoso. Eu andei a pé do Jóquei até o Metrô e de lá até a esquina da Avenida Faria Lima com a Rebouças para pegar um táxi até o Paraíso - onde me cederam abrigo, cama e comida durante a madrugada. Voltei pra São Caetano só pela manhã, já quebrado - era domingo de Páscoa, e almoçar em casa era um imperativo categórico (do meu pai).

Lollapalooza - Dia 1 (Sábado)

O que se vai ler ao seguir (e no próximo post, que sai amanhã) é um misto de crítica, relato pessoal e diário de bordo dois dias de Lollapalooza. Para não cansar o leitor (e deixar o blog mais dinâmico) dividirei o texto em duas partes - uma para o sábado, a outra para o domingo. A parte que se segue é a do sábado.  Todas as fotos, a não ser as do Foo Fighters (divulgação), são de Liliane Callegari. Vale também ler os relatos do Marcelo Costa e do Eduardo Martinez e as considerações do Tomaz de Alvarenga. Boa leitura!


A distância entre a compra dos ingressos e a realização do Lollapalooza foi tão grande que parecia que nunca ia chegar, mas chegou. A espera foi longa: depois de muito aguardar e curtir na pré-venda (fiquei 17 horas esperando pra comprar os ingressos), maldizer o conflito de horários entre alguns shows bacanas (Arctic Monkeys versus Racionais MCs, especialmente) e xingar a mãe do cara que posicionou os palcos principais em cantos opostos do Jóquei Clube, ainda rolou uma filinha básica (ou uma caminhada longa, no meu caso), na entrada pela Avenida Lineu de Paula Machado.

6 de abr de 2012

Vocal Track

Tem algumas músicas que são tão boas que a gente nem acaba nem percebendo quão incríveis são os vocais delas. O Mac apareceu ontem com uma meia dúzia de vídeos de vocal tracks - isto é, apenas as gravações com as vozes. A primeira que ele mandou ontem é arrasadora - e pra ninguém botar defeito na voz de Sir Macca. 


5 de abr de 2012

33 e 1/3


Idílio, novo disco da deliciosa Marina de la Riva, pode ser encarado de dois jeitos. À moda dos antigos bolachões, divido-o em dois lados - escolha o seu, leitor. 

Lado A: Idílio é um disco bonito, e isso merece ser reconhecido. Nele, a brasileira descendente de cubanos domina como ninguém a técnica e o envolvimento do ouvinte em seu canto. Os arranjos do disco também são minuciosamente bem cuidados, tramando cordas, piano e a voz de Marina de maneira atraente. A dolência e a melancolia presente nos vários ritmos abordados pelo álbum - do baião desfigurado de "Assum Preto" ao lamento de "Como duele perderte" - são facilmente compreendidas, mesmo longe do idioma português. Sinta, por exemplo, a beleza do canto de Marina no bolero "Y". 

Lado B: Idílio é um disco com cara, corpo, e alma de nostalgia - de todas as suas 14 músicas, apenas uma é inédita ("Voy a tatuarme"), e a maioria delas foi escrita até os anos 60. Se te dissessem que esse disco foi feito hoje, e não em 1957, o único bom argumento seria a qualidade da gravação - uma olhada, por exemplo, na atmosfera "bar esfumaçado" de "Añorado Encuentro", explica isso bem. A nostalgia em si não é exatamente um problema, mas, descolado de seu tempo, Idílio parece fabricado de encomenda a um público que não procura algo novo, mas sim algo confortável - como um baile da saudade ou um programa da Rádio Nacional que ficou perdido no tempo-espaço.

Compacto simples - com o single do disco: Fique com o lado que você quiser, caro leitor, mas tenha uma coisa em mente: depois de uma meia dúzia de festas de debutantes e formatura, ninguém aguenta mais "Estúpido Cupido" - e não é um arranjo sofisticado que vai salvá-la. 

2 de abr de 2012

Meu Primeiro Divórcio

Show bem bom o da Quarto Negro no sábado, no SESC Belenzinho. A banda, que é formada por Eduardo Praça (voz e guitarra), Fábio Brasil (voz e baixo) e Thiago Klein (voz e piano), contou com o auxílio mais que luxuoso do guitarrista da Pública, Guri Assis Brasil, e do baterista Léo Mattos para lançar seu disco Desconocidos, que esteve no top 20 deste blog no ano passado.

1 de abr de 2012

1º de Abril

Eu não podia perder a chance de fazer uma mixtape especial pro 1º de Abril. Tudo bem, a data em si é uma das coisas mais tiozonas que existem - logo antes da piada do pavê, logo depois da piada das Carolina. Mas a ocasião ainda assim é muito boa pra se deixar passar. É uma seleção pessoal, um bocado bem humorada (mesmo com desfecho quase trágico), pra você se divertir. Have fun :)

1º de abril by Bruno Capelas on Grooveshark