30 de dez de 2012

2012 Não Foi Um Ano Ruim

"Ser leitor de blogs em pleno final de ano é uma merda.
Afinal, em todos os blogs rola aquela reflexão sobre o ano que se passou
e as etapas que terminam, expectativa pelas mudanças do ano que se aproxima, 
enfim, um clichê total".  (Marco Lopez)

A epígrafe não me deixa mentir: esse é um texto sobre 2012 - o ano em que o mundo quase acabou. Antes de tudo, quero dizer que é uma baita honra ter tido a companhia de vocês durante todos esses trezentos e muitos dias, que pareciam intermináveis, mesmo a despeito do ano ter passado voando. Sim, voando: olho para trás e percebo que deixei muitas coisas por fazer, muitas coisas que nem tive o tempo de pensar em fazer, mas que fiz muita coisa também. 

Se 2011 foi o ano em que mais vi shows na vida, 2012 leva o troféu de ano que mais comi hambúrgueres na vida (alguns deles ainda precisam aparecer por aqui até fevereiro, promessa feita). Vi menos filmes que em 2011, ouvi menos discos e escrevi menos sobre eles, mas tive mais conversas instigantes e fiz entrevistas incríveis (pelo menos do ponto de vista do entrevistador, é claro). Gente boa como o Mauro Motoki, do Ludov, o Fábio Andrade, da Driving Music, o Olavo Rocha, da Lestics, e os gringos Ben Kweller e Duke Erikson (Garbage), além das matérias para o iG Jovem, onde trabalhei por 9 meses, tendo tempo para conversar com ídolos como o Cao Hamburger e o skatista Bob Burnquist. 

29 de dez de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Hamburgueria do Sujinho - O Retorno

Essa é a história de "um garoto que conhece uma garota". Ele é um cara comum, com vinte e poucos anos, uma meia dúzia de ilusões e outra dúzia de problemas de auto-estima. Ela foi descrita pelos amigos dele como a garota perfeita - linda, inteligente, charmosa, e capaz de citar todos os filmes de John Hughes em ordem cronológica de trás para frente. Ele desacreditou, desdenhou, não acreditou, até o dia em que os amigos finalmente arranjaram um encontro entre os dois. No dia seguinte, em um bar, ele estava tomado por duas certezas: a) a noite anterior havia sido a melhor de sua vida; b) ele não ia ligar mais para ela, pois a partir daí ele descobriria todos os erros, falhas e problemas dela. 

Ele sou eu. Ela é a Hamburgueria do Sujinho, dona de um lanche pelo qual eu me apaixonei em outubro e nunca mais tinha comido. Até meados de dezembro, quando voltei à casa do bairro da Consolação acompanhado do André Bina e do Vinicius Olmos, em um jantar que antecipou uma viagem ao interior regada a muita Coca-Cola, sinuca e biribol. 

26 de dez de 2012

O Cachorrinho Riu

Nos últimos nove meses, como já falei muitas vezes aqui no Pergunte ao Pop, trabalhei em um dos maiores portais do Brasil, o iG, como estagiário nos canais iG Jovem e iGirl. Cedendo aos clichês, devo dizer que foram nove meses de muito aprendizado, mas também de muita diversão, e muitas oportunidades para fazer matérias diferentes e que me marcaram, cada uma à sua maneira, falando sobre séries, entrevistando ídolos da infância ou falando sobre esportes pouco divulgados, como futebol americano e rolimã. Se, nos últimos tempos, postei por aqui várias entrevistas com músicos, agora dou espaço para dez das minhas reportagens e entrevistas favoritas desse 2012 que não tem a ver com a arte de Beethoven, John Lennon e Mano Brown.

21 de dez de 2012

A Christmas Gift from Pergunte ao Pop

Ah, o Natal. Aquela época do ano em que todo mundo fica ansioso pelo especial de Natal da Xuxa, não vê a hora de colocar os discos comemorativos da Simone e do Ivan Lins no minisystem e fica se perguntando que raio de animal é o chester. Se você não aguenta mais isso - e não quer ver os "melhores artistas da música brasileira" em ação no Show da Virada - o Pergunte ao Pop te oferece duas opções de alto nível cultural (cof cof). 

A primeira delas é o programa especial de Natal que os alunos de Jornalismo da USP produziram para a Rádio USP - ele vai ao ar no domingo, às 11h30 da manhã, mas quem quiser pode escutá-lo aqui mesmo. Eu fui até o bairro de Perdizes para saber mais sobre o sarau de Natal dos Trovadores Urbanos, mas as partes mais legais do programa ficam por conta do conto de Natal "A pequena vendedora de fósforos" e pela matéria feita pelo Leandro Carabet na 25 de Março.

20 de dez de 2012

Astronauta, Artur, Nicholls

Além de falar sobre música, cinema e hambúrgueres, este escriba que vos fala também se arrisca, de vez em quando a falar sobre literatura. Na semana passada, escrevi três resenhas curtas para o Scream & Yell, falando de bons lançamentos que chegaram às livrarias brasileiras nos últimos tempos: Astronauta - Magnetar, uma graphic novel inspirada livremente no personagem de Maurício de Sousa; Contos Cariocas, uma reedição de um perdido livro de Artur Azevedo, editado anteriormente apenas em 1928; e Resposta Certa, o primeiro livro do escritor David Nicholls, responsável pelo best-seller de 2011 Um Dia.

O resultado você lê lá no Scream & Yell!

15 de dez de 2012

Os 100 Melhores Discos Brasileiros segundo a Sinewave

No último mês de novembro, tive a honra de participar da votação dos 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos da comunidade da Sinewave do Facebook. A Sinewave, para quem nunca ouviu falar, é um netlabel (trocando em miúdos: uma gravadora virtual) tocada em frente pelo grande Elson Barbosa - para saber mais sobre o projeto, vale ler uma entrevista que eu e o Bruno Federowski fizemos com o cara para um trabalho de 2011 da faculdade.
 
Pois bem: além de eleger meus 20 discos favoritos já feitos em Pindorama, fui convidado pelo Elson para escrever sobre um dos 30 primeiros colocados da lista - Acabou Chorare, dos Novos Baianos.
 
Lançado em 1972 pela Som Livre, "Acabou Chorare" foi concebido dentro de um apartamento hippie no bairro de Botafogo, juntando sem indigestão samba, Hendrix, João Gilberto, choro e rock'n roll. O resultado foi um álbum suculento, que soa brasileiro e moderno como os tropicalistas um dia sonharam. Segundo disco dos Novos Baianos, “Chorare” eternizou canções como “Preta Pretinha” e “Besta é Tu”, revelou para o país a figura de Moraes Moreira, o canto de Baby do Brasil e a guitarra de Pepeu Gomes, além de ter pavimentado o caminho para que outros baianos (ou não) pudessem curtir numa boa.
 
Quer saber em que posição ficou o Acabou Chorare? E quem ficou no top 10 dessa lista? É só seguir o link abaixo!



12 de dez de 2012

Feira (ou Festa) do Livro da USP

"Quem precisa de Black Friday quando se tem a Feira do Livro da USP" (BINA, André. 2012)
Um dos momentos mais aguardados do ano por um uspiano (e boa parte da cidade de São Paulo) finalmente chegou! Desde hoje cedo - e até sexta-feira, das 9 às 21 horas, a USP sedia sua Feira (ou Festa) do Livro, na qual muitas editoras do Brasil vendem seus livros com, no mínimo, 50% de desconto. 

Se até 2010 a Feira foi organizada no prédio da História, e, em 2011, quase deixou de acontecer por razões técnicas (leia-se: pela greve dos estudantes que aconteceu no final daquele ano), em 2012 ela consolida-se em sua segunda edição na Escola Politécnica. Companhia das Letras, Globo, Record, Edusp, L&PM, Editora 34, Panda Books, Global e muitas outras se reúnem em três prédios da sede dos engenheiros da Universidade - veja o mapa (e a lista completa das editoras) aqui do lado!

Se você não é de São Paulo ou nunca foi até a USP, muita calma nessa hora! Para quem vai de transporte público, o jeito mais fácil de chegar na Feira é indo de metrô até o Butantã, e no terminal de ônibus anexo à estação, pegar o ônibus circular (8012-10) que vai até a Universidade.

Para se adiantar e evitar filas, vale a pena chegar cedo na Feira. Além disso, nas editoras maiores, é legal ir com o que você quer comprar na cabeça. A Companhia das Letras e a Cosac Naify, por exemplo, disponibilizaram um catálogo com tudo que levaram. 

Da minha parte, só posso dizer que o saldo geral do dia (da foto que abre o post) conta com uma conta bancária em ruínas, ombros e braços pedindo arrego de tanto carregar livros e uma porrada de coisas legais para ler. Entre as dicas, vale dar uma fuçada na Conrad (que tem livros bem bacanas sobre música), na Globo (que anda publicando boas bios de rockstars, como a do Keith Richards e a do Neil Young), na L&PM (casa dos últimos tostões do bolso) e na Editora 34 (outra boa parada para quem se dedica a estudar MPB). 

Esse foi o saldo de 2011. (Não, eu não li todos. A ideia é ~guardar para a posteridade~)

10 de dez de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Hamburgueria São Caetano

O X-Burguer
Apesar de amar São Paulo com todos os seus defeitos e passar mais da metade dos meus dias na capital paulista, não moro nela - e sim em São Caetano do Sul, aquela cidade que é especialmente conhecida por abrigar a fábrica da GM, ser sede do time do Adhemarrrrrrr e ter o melhor IDH do país. Entretanto, não vamos enganar ninguém: por seu tamanho quase esdrúxulo (16 km²), gosto de dizer que São Caetano é um bairro que São Paulo esqueceu de anexar, e que o IDH é um mero esconderijo para uma cidade que não tem bons hospitais, e até dois anos atrás não tinha nem cinema nem livraria.

Toda essa introdução vale só para falar que há tempos eu torcia pelo surgimento de bons hambúrgueres na minha cidade do coração. Há mais ou menos duas semanas, fui com meus pais testar uma nova casa da cidade, a Hamburgueria São Caetano (rua Taipas, 420), bastante esperançoso. A bem da verdade, devo dizer que a lanchonete do bairro Barcelona é que nem aquela banda do seu amigo: você quer muito que dê certo, mas...

Decorado com fotos antigas da cidade, das décadas de 40 e 50, cadeiras e mesas de madeira e um jeitão de lanchonete de cidade do interior paulista, o salão da casa estava lotado em um sábado à noite - o que parecia ser um bom sinal, como o baterista fera da banda do seu bróder que chega com quatro pratos diferentes.

Mas não era um bom começo. Para começo de conversa, demoramos a sermos atendidos pelas poucas garçonetes da casa, e a Coca-Cola foi servida em copos de plástico (daqueles que você compra no supermercado).

Esse é meu pai. Sim, ele estava com fome.
Não, o lanche não era bom. 
A porção de batata frita veio com bastante óleo, e, apesar de ser barata (R$ 4,00), era mal servida e tinha como acompanhamento maionese e catchup de sachê - o equivalente gastronômico à hora que o seu amigo anuncia no palco que vai tocar uma cover de Los Hermanos para uma menina que está "looooooonge".

Como estava com bastante fome, resolvi ir além do meu habitual, e pedi logo dois lanches de uma vez: um X-Maionese (R$ 7,00) e um Taipas 4 (hambúrguer ~artesanal~de 130g, queijo, alface, tomate seco e molho rosè, por R$ 10,00). Sobre o X-Maionese, pouco há a dizer: um lanche simples, com maionese fabricada industrialmente, e com uma carne que pouco convence: apesar de dizer que é artesanal, ela soava ao paladar bastante massificada, como um monte de carne amassada até não sobrar mais espaço (como o som roufenho que sai dos alto-falantes do inferninho que o seu amigo toca).

Taipas 4
O Taipas 4 era minimamente decente, porque o bom molho rosè e o tomate seco deixavam o lanche mais apresentável, e por alguns poucos momentos me fizeram esquecer quão ruim era o resto do lanche. Entretanto, quase no fim do sanduíche, meu dente sentiu uma coisa dura. 

Sim, senhores, era um pedaço de osso, que tinha sido moído junto com a carne. Foi nessa hora que eu desisti de qualquer coisa - até mesmo do 'eu te considero pra caralho' do meu amigo. Como diria Bruce Springsteen, "it's a town full of losers, I'm pulling out here to win".

Nota: 1 fatia de bacon (X-Maionese)
1,5 fatia de bacon (Taipas 4)


Ranking MHC Pergunte ao Pop:

1 - X-Maionese, Hamburgueria do Sujinho - Consolação (4,8)
3 - X-Maionese, Milk & Mellow - Itaim (4,25)
4 - X-Bacon Maionese, Lanchonete D'Sampa - Brooklyn (4) 
17 - #1, The Rockets - Jardim Paulista (1,5)
17 - Taipas 4, Hamburgueria São Caetano - São Caetano (1,5)
19 - X-Maionese, Hamburgueria São Caetano - São Caetano (1)

8 de dez de 2012

A Revolução dos Livros

Quantos documentos você já tirou que precisavam de um comprovante de residência? Agora, pare e pense: como será que um morador de rua lida com essa situação? Não lida, né? Pois bem: pensando nisso, Robson Mendonça (ele próprio um ex-morador de rua), criou um projeto chamado Bicicloteca, que leva livros às pessoas em situação de rua de maneira gratuita, nas principais praças do centro de São Paulo.
 
Ao longo do último semestre, meu grupo na aula de Projetos em TV se envolveu de maneira muito próxima com esse projeto. O resultado final - de dias madrugando, noites mal dormidas e alguma meia dúzia de confusões, mas muitos sorrisos e até algumas lágrimas - vocês conferem no documentário abaixo, A Revolução dos Livros.
 
Antes que vocês assistam, queria só humildemente agradecer às minhas parceiras nesse projeto (Anais Quiroga, Rafaela Carvalho, Glenda Almeida, Naíma Saleh e Sofia Machain), à professora Egle Spinelli, que nos orientou nesse trabalho, e ao grande Vinícius Olmos, que compôs a trilha sonora original do filme, cedendo duas belas canções, "Blue Skies" e "Small Town Stories". Obrigado - and we hope you enjoy the show.


5 de dez de 2012

Catadão de Entrevistas 3

Em mais uma entressafra de textos (nada como o fim do semestre da faculdade, não é mesmo?), aproveito a chance para mostrar quatro entrevistas bem legais que fiz pro iG Jovem nos últimos tempos. Provavelmente, este deve ser o último catadão de matérias com músicos que divulgo por aqui - novidades boas e que mexerão com a estrutura desse blog devem pintar em breve, mas por agora não priemos cânico. Um passo de cada vez, por favor, seu doutor. Com vocês, Transmissor, Pollo, Fresno e Simple Plan.

Simple Plan: "Só no Brasil é que nos chamam de emos"

Além disso, três dicas: a primeira é o meu textinho curto sobre Claridão, o disco que o SILVA lançou em outubro, no Scream & Yell; a segunda é uma resenha caprichadíssima de As Vantagens de Ser Invisível feita pelo Marcelo Costa; e a terceira, um texto profissa (gírias de coxinha, um beijo) do Bruno Federowski, meu parceiro no finado Pop to the People, sobre o burburinho em cima do Frank Ocean.

2 de dez de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: The Fifties (Funchal)

Uma das lanchonetes com um dos cardápios mais extensos (e variados) da cidade de São Paulo, o The Fifties é o tipo de estabelecimento que não consegue se bastar com apenas uma visita. Se, na primeira vez que fui à rede, na filial do Itaim, montei meu próprio lanche (um X-Bacon Maionese que levou 3 fatias de bacon, ainda nos primórdios do MHC), agora foi a hora de escolher um lanche montado pela própria casa, em um vatícinio pouco convencional. 

Acompanhado do valoroso trio André Bina, Vinicius Olmos Battistini e Igor Macedo, e procurando forrar o estômago antes do bom show do Pulp em São Paulo, batemos cartão na filial da rua Funchal da rede. De saída, pedimos uma porção de batatas fritas (sem queijo nem bacon), para serem rachadas entre os quatro. Assim como da vez anterior, a porção tem no corte um tanto quanto tosco das batatas e na maionese que a acompanha os seus fortes. 

Para o lanche, resolvi atacar um Pic Oceania (R$29,00), na versão monstro. Isto é: um lanche com um hambúrguer de picanha com 230g, com queijo prato, molho barbecue e onion rings, acompanhado de uma Coca-Cola de 290ml, em garrafa de vidro.

Criado em 2010, durante a Copa do Mundo, o Pic Oceania é um lanche para corações e estômagos fortes. Primeiro, porque ele contém camadas extras de fritura e gordura, culpa do queijo bem derretido e das onion rings - que, apesar de bacanas, vieram meio molengas, graças ao calor e à umidade do lanche. (Cheguei à conclusão que onion rings servem bem como porção, não como ingrediente de lanches). Segundo, pelo molho barbecue bem picante e temperado. Por fim, e como seria de se esperar, pela quantidade grotesca de carne, chegada direto da chapa com tempero razoável e um pouco passada além do desejável - ou seja, ao ponto. A se lamentar, ainda, vale dizer que o sanduíche veio um pouco seco nas bordas, e muito molhado no centro - um contraste desagradável.

Resumindo: mais uma vez, o The Fifties não entrega um lanche ruim, mas que também não é sensacional. É uma versão hypada do McDonald's (de quem quero falar em breve nessa coluna): você sabe que vai pagar caro, e sabe que não vai comer o melhor lanche do mundo. Mas sabe EXATAMENTE o que vai encontrar (e pode até ficar feliz com isso).

Nota: 2,5 fatias de bacon


Ranking MHC Pergunte ao Pop:

1 - X-Maionese, Hamburgueria do Sujinho - Consolação (4,8)
3 - X-Maionese, Milk & Mellow - Itaim (4,25)
4 - X-Bacon Maionese, Lanchonete D'Sampa - Brooklyn (4) 
11 - Maracanã Burguer, Cervejaria Nacional - Pinheiros (2,5)
11 - Pic Oceania, The Fifties - Itaim (2,5)

29 de nov de 2012

Entrevista S&Y: Ben Kweller

Apesar da cara de moleque que mostra na capa de seus discos, o norte-americano Ben Kweller já pode ser chamado de um veterano do rock alternativo. Aos 31 anos, ele já foi menino prodígio do grunge, fez grandes canções de power pop, flertou com o country e teve nomes como Ben Folds e Nils Lofgren como parceiros musicais, em uma carreira que começou no início dos anos 1990. Em dezembro, Ben vem sozinho (isto é, sem sua banda de apoio) ao Brasil pela primeira vez para fazer quatro shows, em São Paulo (dia 4, no SESC Vila Mariana), no Rio de Janeiro (dia 6, no Imperator), em Belém (dia 7, no festival Se Rasgum), e em Fortaleza (dia 8, no Órbita Bar).

Bati um papo de meia hora por discagem direta internacional com Ben Kweller na semana passada, durante o feriado da Consciência Negra. O resultado foi uma entrevista divertida que saiu no Scream & Yell, no qual o artista falou sobre sua primeira banda, o Radish, sobre seus últimos discos, os heróis que o inspiraram a seguir em frente e a música que toca para seus filhos de 6 e 2 anos de idade. Entretanto, para mim a melhor parte da entrevista é o final, quando Ben fala sobre o mercado da música e confessa ser fã de um axé baiano que tortura muitos ouvidos durante o verão. Quer saber qual é? Descubra lendo a entrevista lá no Scream & Yell.

27 de nov de 2012

Do You Remember the First Time?



A menos que você tenha muitos dinheiros e tenha visto o Pulp no estrangeiro, a resposta para a pergunta do título é não. Nessa quarta-feira (28), Jarvis Cocker e seus companheiros desembarcam em São Paulo para sua primeira vez no Brasil, no palco do Via Funchal. É a última perna da excursão sul-americana que a banda britânica faz em 2012, parte da turnê de reunião que começou em 2011, no Primavera Sound, em Barcelona - em show que contou com uma dedicatória de "Common People" aos manifestantes espanhóis que entraram em confronto com a polícia naquele dia.

26 de nov de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Milk & Mellow


Sabe quando você tem um grande amigo, esse amigo começa a gostar de uma garota, e quando você vê eles começam a namorar? Quando você percebe, todas as suas conversas com o cara agora são sobre como essa nova garota é demais, sobre as bandas, os livros e os filmes favoritos dela, além daqueles detalhes (o jeito que ela sorri, pisca os olhos ou abre o guarda-chuva) que só ele percebe. E aí chega o grande dia em que ele resolve levar a garota para jantar com os amigos - e sempre rola aquela insegurança dela odiar as piadas que você faz e transformar a sua parceria de fé em um inferno. 

O último parágrafo pode ser um pouco exagerado, mas descreve mais ou menos como eu me sentia quando fui pela primeira vez ao Milk & Mellow (Av. Cidade Jardim, 1085, no Itaim Bibi), na companhia do Tiago Oliveira - conhecido popularmente como Dinha.

Se há algum responsável maior pela existência dessa seção, esse é o Dinha, que anos atrás me introduziu na fina arte de comer hambúrgueres após as aulas do colegial. E o Milk & Mellow, por sua vez, não é outro senão o lugar onde o próprio Dinha descobriu que um bom lanche é muito mais do que carne, queijo e pão. 

Com decoração sofisticada (mas que inclui um pôster dos Beatles, hehe) e habitado por coxinhas de toda sorte, o Milk & Mellow prometia ser aquela namorada patricinha e sem bom papo que o seu amigo conheceu na academia. Ledo engano! Para começo de conversa, trata-se de um lugar para os bons de copo, uma vez que, a meros R$ 6,80, é possível tomar quanta Coca-Cola se quiser. Mas falemos do essencial, o lanche - dessa vez, um X-Maionese (R$ 16,90) no capricho. 

Dizer que foi amor à primeira vista seria complicado, porque, afinal, trata-se da namoradinha de um amigo seu. Entretanto, o X-Maionese do Milk & Mellow é o tipo de lanche com o qual dá para engatar uma boa relação. Primeiro, trata-se de um lanche pequeno, daqueles que cabe na mão sem muito esforço (mas não pequeno a ponto de nos fazer passar fome). Segundo, pela carne, muito bem preparada (ainda que faltasse um pingo de sal em sua composição), e que veio ao ponto da chapa. Terceiro, pelo queijo bem derretido (hummmmmmm, diria a Ana Maria Braga), e, por último, pela excelente maionese, temperada com bastante salsinha e bem cremosa. Juntos, esses ingredientes são dignos da última frase de um dos maiores filmes de todos os tempos, Casablanca. "É, acho que esse é o início de uma bela amizade". 

Nota: 4,25 fatias de bacon

PS: A título de curiosidade, pedi ao fim da noite um petit-gateau (R$ 14,60). Bem bom, embora o bolinho tenha vindo com muita calda e pouca massa. 

Ranking MHC Pergunte ao Pop:

1 - X-Maionese, Hamburgueria do Sujinho - Consolação (4,8)
3 - X-Maionese, Milk & Mellow - Itaim (4,25)
4 - X-Bacon Maionese, Lanchonete D'Sampa - Brooklyn (4) 

24 de nov de 2012

Pais e Filhos

Nos últimos dez anos, as telas dos cinemas alternativos do Brasil (aqueles lugares onde a pipoca quase nunca é comprada e todo mundo fala em filmes de arte) têm sido ocupadas por uma enxurrada de documentários musicais. São longas-metragens que abordam carreiras esquecidas (Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei, Loki), surgimentos de cenas musicais (Botinada) e examinam trajetórias longevas (Meu Tempo É Hoje, Coração Vagabundo), dando água na boca em fãs famintos por saber mais sobre a carreira de seus ídolos, as condições em que eles chegaram à produção de hits certeiros ou como suas carreiras foram destruídas pelas drogas e pelo álcool. 

Rock Brasília - Era de Ouro, lançado em 2011 pelo cineasta Vladimir Carvalho, bem que poderia se encaixar facilmente nessa definição das últimas linhas. Afinal, o filme examina com precisão o surgimento, o sucesso e o declínio das três grandes bandas de rock da capital federal na década de 1980: a Legião Urbana, a Plebe Rude e o Capital Inicial. Mas Rock Brasília é mais do que isso: trata-se de um filme sobre a capital federal, e, mais especificamente, sobre seus primeiros filhos. 

19 de nov de 2012

Black is Beautiful

Não importa se na sua cidade hoje é feriado ou não - o que importa é que o dia de hoje, o Dia da Consciência Negra, merece ser um dia de reflexão. E, por que não, de música também? Pensando nisso, o Pergunte ao Pop reuniu 10 canções que falam sobre racismo, ícones negros, a luta pelos direitos civis e a esperança de um mundo que não seja mais igualitário, mas sim no qual as diferenças sejam compreendidas e valorizadas.

Black is Beautiful by Bruno Capelas on Grooveshark

16 de nov de 2012

Sobre o Tempo: Tears For Fears



No ano passado, escrevi para o Scream & Yell sobre um dos shows que o Tears for Fears fez em São Paulo no Credicard Hall. Em 2012, a dupla Orzabal e Smith volta à capital paulista, para uma única apresentação, no dia 22 de novembro, no tétrico Espaço das Américas. Segundo o setlist.fm, o show da semana que vem tem quase o mesmo repertório do que o apresentado em 2011. Sendo assim, acho que vale a pena relembrar como foi aquele (grande) show. 

O tempo é uma coisa engraçada – especialmente quando se trata de bandas de rock. Muitas delas passam uma carreira inteira tentando provar que ainda são jovens – mesmo quando seus integrantes já ostentam os cabelos mais que brancos. Outras simplesmente aceitam o fato de que estão ficando experientes e barrigudas. Interessante, porém, é quando essas duas experiências acontecem com a mesma banda, no espaço de um único show, ainda que uma sensação prevaleça sobre a outra. Pois foi algo assim o que aconteceu no dia 06, no palco do Credicard Hall, durante a primeira passagem do Tears for Fears por São Paulo na mini-turnê que o duo inglês faz pelo Brasil neste mês de outubro.

Logo na entrada já era possível notar essa divisão: uma boa parte da platéia era formada por respeitáveis senhores e senhoras, carentes de alguns fios de cabelos e de um pouco de nostalgia dos anos 80. Entretanto, uma fração considerável do público compunha-se de jovens na faixa entre os 15 e os 25 anos de idade, que conheceram a banda na esteira do sucesso do filme cult “Donnie Darko”, cuja trilha sonora incluía “Head Over Heels” e uma cover de “Mad World” feita pelo ilustre desconhecido Gary Jules. 

13 de nov de 2012

10 impressões sobre Belo Horizonte

A fina arte de entender o nome de uma cidade (mesmo num dia nublado)
Se em setembro eu disse que o Rio de Janeiro é um prazer para os olhos, começo esse texto falando que Belo Horizonte é uma cidade para a boca - seja para comer os maravilhosos pratos que a culinária mineira trouxe ao mundo, para beber boas cervejas e cachaças (e o Mate Couro nosso de cada dia) ou para passar horas e horas jogando conversa fiada numa mesa de bar. (Isso para não falar no queixo caído e nas risadas que alguém consegue dar em Inhotim, mas isso é assunto para um próximo texto). 

A seguir, comento dez lugares, pensamentos, reflexões e bobagens a respeito de uma cidade que me deixou balançadíssimo em relação ao meu futuro (a ponto de reconsiderar meu amor por São Paulo), a partir dos três dias que passei por lá no último feriado de Finados, na companhia do Marcelo Costa, sua senhora, Liliane Callegari, Polly Sjobon e mais os queridos amigos Tomaz de Alvarenga, Rodrigo James, Natália Mazoni, Rodrigo Brasil, Maurício Angelo e Thiago Pereira. Ê trem bão!.

11 de nov de 2012

Entrevista: Cao Hamburger



Cao Hamburger é um grande ídolo da geração que cresceu nos anos 1990, embora muita gente mal saiba que foi ele um dos principais responsáveis por "Castelo Rá Tim Bum" . Aos 50 anos, afastado das produções infanto-juvenis dos canais abertos desde 2000, o diretor paulista retorna à televisão aberta neste domingo (11), com "Pedro & Bianca" , nova série da TV Cultura .

Ambientada em uma escola pública, “Pedro & Bianca” quer falar sobre o universo adolescente a partir da vida dos irmãos do título, prestes a entrar no primeiro ano do Ensino Médio. Gêmeos bivitelinos, Pedro e Bianca se incluem em uma estatística quase improvável - ele é branco, e ela é negra, algo que tem apenas 0,0001% de chances de acontecer na vida real.

Falando sobre assuntos polêmicos de maneira franca, como sexo, gravidez, bebida, trabalho e namoro, e contando com uma personagem bissexual e um cadeirante, “Pedro & Bianca” promete ser uma atração bem diferente das convencionais “Malhação” e “Rebelde”.

Realizei um sonho de infância ao bater um papo com o Cao Hamburger nessa semana sobre a nova série que ele está fazendo para a TV Cultura "Pedro & Bianca". Meu orgulho de ser da geração que nasceu nos anos 1990 aparece aqui fácil - especialmente quando eu digo (normalmente, em mesas de bar) que "Castelo Rá Tim Bum" é um programa infantil que não vai ser superado pela televisão brasileira. 

Para quem quiser continuar lendo a matéria com o Cao, segue o link. Quem ficar curioso pela série "Pedro & Bianca", pode também ler a reportagem que fiz especialmente sobre ela

9 de nov de 2012

Elvis Presley na Rádio USP

Fãs do bom e velho rock'n'roll, atenção! Nesse domingo, dia 11, a partir das 11h30, este que vos escreve falará sobre Elvis Presley na Rádio USP, no programa Universidade 93,7, que é feito pelos alunos de jornalismo da USP (sim, eu sou um deles). 

Na pauta, falamos sobre o show Elvis Presley in Concert, a exposição Elvis Experience, entrevistamos um cover de Elvis, o Elvinho, e fomos até à Galeria do Rock pedir para as pessoas cantarem trechos de suas músicas favoritas do Rei do Rock, lembrando os 35 anos de morte do cantor. 

Participo do programa cobrindo a porta do show Elvis Presley in Concert, que trouxe ao Brasil a banda que acompanhava o caminhoneiro de Tupelo, e fazendo a locução geral.

Perdeu o programa? Não tem problema! Você pode escutá-lo na íntegra depois de baixá-lo por aqui! Espero que vocês curtam - and "everybody let's rock!". 

8 de nov de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Finnegan's Pub

É triste não ter condições para realizar algum feito marcante. Mas é mais triste ainda perceber todo um potencial para o sucesso desperdiçado de maneira quase displicente. Esse é o sentimento que fica depois que se acaba de comer o X-Maionese (ou, como reza o cardápio da casa, Finniburguer Salada) do Finnegan's Pub. Situado na esquina da rua Cristiano Viana com a rua Artur de Azevedo, no coração do bairro de Pinheiros, em São Paulo, o bar pode muito bem agradar a seus visitantes com suas cervejas - mas ainda está longe do sucesso quando o assunto é hambúrguer. 

Fui ao Finnegan's pelo segundo ano consecutivo para comemorar o aniversário da querida Victória Cirino - ou, por uma coincidência de datas, celebrar o Dia dos Sacis, das Bruxas e o Halloween. Inspirada diretamente pela cultura irlandesa, a casa conta com uma decoração inusitada.

Junto a pôsteres de James Joyce e bandeiras da terra de Bono, podem ser vistos cartazes de Marilyn Monroe jogando cartas com James Dean e Humphrey Bogart (?) e imagens dos Beatles (super irlandeses). Para completar, um trio acústico tocava clássicos do rock como "So Far Away", do Dire Straits, e "Tears in Heaven", do Clapton. Risos. 

Custando a bagatela de R$ 26,80, o Finniburguer Salada é uma porçãozona que compreende uma salada de alface e tomate, batatas fritas e um X-Maionese. Salada é aquela coisa de sempre: tu come pra depois falar pra mãe (ou pra namorada/mulher, dependendo do seu estado civil) e ganhar uma ~estrelinha~. A batata frita, por sua vez, era bem boa - e vinha em largas quantidades, sendo um ponto alto do prato. 

Já o hambúrguer do Finnegan's me lembrou muito os dias de hoje do Santos Futebol Clube, que depende até suas últimas forças da garra de Neymar - e sem ele, é quase um completo desperdício. No caso do X-Maionese, o equivalente de Neymar é a carne, que vem em um pedaço alto, naquele ponto bacana entre o tostado e o ao ponto. Poucas são as hamburguerias que têm na carne seu ponto alto da mesma maneira que o Finnegan's (assim como Neymar não é o tipo de jogador que se vê em qualquer esquina). Mas o resto é uma tragédia: o queijo, assim como a defesa do Santos, é inexistente; e a criação de jogadas sem o craque-porco-espinho é infrutífera como a maionese azeda e escassa do lanche. Uma pena - mas mesmo assim, vale torcer para ver se a diretoria do Finnegan's F.C. traz reforços para próximas temporadas.

Nota: 2 fatias de bacon

Ranking MHC Pergunte ao Pop:

1 - X-Maionese, Hamburgueria do Sujinho - Consolação (4,8)

6 de nov de 2012

Luz & Sombra: Conversas com Jimmy Page



O ano de 2012 tem sido bastante especial para os fãs brasileiros do Led Zeppelin. Em outubro, o país viu a bela passagem de Robert Plant com uma turnê de oito shows, e fez parte do lançamento mundial de “Celebration Day” , filme que mostra o último show da banda, realizado em 2007 com Jason Bonham assumindo as baquetas no lugar do pai, John Bonham.

Neste mês, um livro que detalha com propriedade as canções e gravações do grupo inglês chega às livrarias brasileiras. Escrito pelo jornalista Brad Tolinski, editor-chefe da revista Guitar World, “Luz & Sombra: Conversas com Jimmy Page” (Globo Livros, 288 páginas, R$ 39,90) reúne entrevistas feitas com o guitarrista do Led Zeppelin ao longo dos últimos 20 anos.

Cobrindo toda a trajetória do músico, dos tempos trabalhando em estúdios até os dias de hoje, passando pelas parcerias com Paul Rodgers e David Coverdale, o livro procura deixar clara a importância de Page para o rock’n’roll, não só como instrumentista, mas também como produtor. Em certo momento, por exemplo, Tolinski informa aos leitores que uma das primeiras captações decentes do som de uma bateria foi idealizada por Page.

Depois de falar do show de Robert Plant para o Scream&Yell, escrevi para o iG Cultura uma resenha curta sobre o livro Luz & Sombra: Conversas com Jimmy Page. Quem quiser conferir o resto do texto pode seguir nesse link maneiro aqui

31 de out de 2012

Carly Rae Jepsen, Ben Folds Five

Carly Rae Jepsen - Kiss - 2012

Cinderela do pop de 2012, Carly Rae Jepsen, 26, foi descoberta por acidente pela fada-madrinha Justin Bieber. De férias em sua terra natal, o astro canadense ouvia uma rádio local e se encantou uma canção chamada “Call Me Maybe”. Dias depois, Justin gravou um vídeo dançando a música, que se reproduziu pela web em inúmeros virais. Foi o que bastou para que Carly Rae deixasse de ser uma semidesconhecida para se tornar famosa no mundo todo. Grudento até a medula, sustentado por um arranjo de cordas marcante (como desde “Bittersweet Symphony” ou “A Thousand Miles” não se ouvia), “Call Me Maybe” é o carro-chefe e a melhor faixa de “Kiss”, segundo disco da cantora, todo regravado após o estouro da canção. Além do reforço da internet, o sucesso de “Call Me Maybe” é explicável por seu refrão forte, que retrata uma mudança na dinâmica dos xavecos, pouco retratada até então na música pop: ainda que timidamente (e de maneira conservadora), é a garota quem toma a iniciativa de oferecer seu telefone ao rapaz. Para além do mega hit, “Kiss” é um disco bastante regulamentar para uma cantora pop ‘estreante’. Em pouco mais de 40 minutos (na edição normal: há uma edição deluxe com três faixas bônus e 56 minutos de música), Carly Rae supera um ex-namorado na pista de dança (“Tonight I’m Getting Over You”), não sabe se deve se declarar para um amigo (“Turn Me Up”), farreia muito (“Good Time”) e divide uma balada mela-cueca com o padrinho Justin Bieber (“Beautiful”). De bacana mesmo, vale prestar atenção na divertida prova de carinho de “Guitar String/Wedding Ring”, na qual a cantora sonha usar uma aliança feita com a corda de uma guitarra.

Nota: 5,5

Ben Folds Five - The Sound of the Life of the Mind - 2012

Depois de 13 anos sem gravar um disco completo, o trio norte-americano Ben Folds Five volta à ativa com “The Sound of the Life of the Mind”. Mas que não se engane o ouvinte: apesar da união renovada de Ben Folds (piano e voz), Darren Jessee (bateria) e Robert Sledge (baixo), dos corais inspirados em Beach Boys e do piano empolgado do vocalista, esse é um trabalho para dias de chuva e pessoas melancólicas. Tal noção se torna clara só ao se ler os títulos de canções como “Erase Me” (com condução que remete ao Supertramp) e “Thank You For Breaking My Heart”, por exemplo. As piores porradas, porém, vem de “On Being Frank” (”Eu tinha um sonho / mas os sonhos tinham outros planos pra mim”) e “Away When You Were Here” (”Você podia ter feito meu dia de casamento / Salvo minha juventude / Me ajudado com os meus problemas / Mas você estava longe, mesmo quando estava aqui”). “Do It Anyway”, o primeiro single, contemporiza: “Você pode colocar o seu amor e a sua confiança em jogo / É arriscado, as pessoas adoram destruir isso / Deixe-as tentar”. Entretanto, caro leitor, se a melancolia não for o seu forte, dá pra curtir “The Sound…” sem problemas. É só prestar atenção no domínio vocal de Folds na balançada “Draw a Crowd”, com seu arranjo digno de Jeff Lynne; no baixo distorcido de Sledge, que faz até esquecer a ausência das guitarras na banda; na beleza de “Sky High”, escrita pelo baterista Jessee, e no primeiro single, “Do It Anyway”. Nick Hornby, que escreveu as letras do último disco solo de Folds, “Lonely Avenue”, de 2010, aparece aqui com a bonita faixa-título. Em cerca de 45 minutos, com um disco cheio de canções pop sessentistas, Ben Folds e seus asseclas garantem o resultado numa boa – mas fica a curiosidade se vão levar o jogo para um eventual segundo tempo.

Nota: 8



(publicado originalmente no Scream & Yell)

29 de out de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Toninho & Freitas

Depois que você se apaixona, é difícil voltar à vida de uma maneira normal. Com os hambúrgueres, também é um pouco assim - mas não se pode desistir, não é mesmo? Foi mais ou menos assim que eu fui ao Toninho & Freitas acompanhado do Vinícius Battistini logo após o grande show do Robert Plant em São Paulo. Já havia ido uma vez ao lugar antes, com o Vini e o André Bina, na hora do almoço, mas devo dizer que é melhor visitar a casa à noite, quando sua chapa está mais suja e há menos muvuca , uma vez que durante o dia ela é habitada por muitos estudantes e funcionários do Hospital das Clínicas comendo enormes PFs. 

Autointitulada "o rei dos Beirutes", a casa fica na Av. Dr. Arnaldo, próxima ao metrô Clínicas, e vizinha ao Burdog. Chegando lá após flutuar com o ex-vocalista do Led Zeppelin, pedimos uma porção de batata frita (R$ 17,00) e um X-Maionese (R$ 18,00), acompanhados de uma Coca-Cola.

A batata chegou à mesa bastante quente, mas via-se claramente que ela não era feita pela própria casa (e sim retiradas direto de um pacote congelado de McCain ou similares). Um pouco queimadas além do normal, a porção era grande, mas vinha em pedaços pequenos, como se tivessem sido desmanchados na fritura. Resumindo: não eram ruins, mas o preço caro e os acompanhamentos (a fraca maionese à parte (R$ 2,00) e o adocicado catchup Hemmer) a tornam um ponto baixo do cardápio. 

O X-Maionese, por sua vez, surpreendeu. Primeiro porque, à primeira vista, parece pequeno, mas é um monstro de bastante pegada. Tá, eu explico: é um lanche grande, que merece ser degustado com calma, com destaque para o queijo, entre o derretido e o bem tostado. A carne também é um ponto alto, com um gosto marcante e um hambúrguer de tamanho admirável.

A maionese, no entanto, é o calcanhar de Aquiles do Toninho & Freitas - e o que faz o lanche não ganhar ainda mais posições nessa lista honrosa. Não é que ela seja ruim: assim como a do irmão gêmeo Burdog, ela é espaçosa. Tem muito volume, pouco sabor, e uma consistência oleosa. É como aquela garota que você olha e fala: pode ser ótima, mas não é para mim. Depois que você se apaixona e tenta voltar à vida normal, eventualmente acontece isso - a diferença é que, no caso dos hambúrgueres, é mais fácil você reconquistar o brilho nos olhos ou começar de novo.  

Nota: 3 fatias de bacon

26 de out de 2012

70 Tons de Milton

Nascido no Rio de Janeiro, mas conhecido mundialmente como um dos maiores representantes das Minas Geraes, Milton Nascimento está completando 70 anos nessa sexta-feira (26). E como o Pergunte ao Pop não pode deixar de registrar a data, resolvemos escolher dez canções lados-B da obra de Milton que merecem o seu destaque para soprar as velhinhas junto com o cantor, que conseguiu também a melhor definição sobre sua música.

"Sempre me perguntaram que tipo de música eu faço, nunca soube explicar. Certa vez fui convidado para um festival de jazz na Dinamarca. Quando cheguei lá, o cartaz da noite dizia: ‘Miles Davis - jazz’, ‘Fulano de tal - rythym and blues’, ‘Milton Nascimento - Milton’. Foi a melhor definição."

As dez canções a seguir não esgotam a obra de Milton - nem são suas melhores músicas. Entretanto, todas elas mostram um lado importante do artista, seja como compositor ou como intérprete, que é complementar ao Milton de hits como "Maria Maria" e "Coração de Estudante". Bora por o pé nessa estrada?

Mil Tons by Bruno Capelas on Grooveshark


25 de out de 2012

Robert Plant em São Paulo


À medida que as décadas passam, é comum ver artistas pop de renome dividirem suas apresentações em dois tipos de experiência. Há o grupo de músicos que fazem tudo o que o público quer – algo que pode gerar tanto um espetáculo alucinante, como um show de Paul McCartney, quanto um exercício sobre o tédio, no caso de uma banda como o Deep Purple. E existem aqueles rockstars que parecem se negar a fazer tudo exatamente dentro do combinado, uma escolha que pode tanto levar uma platéia ao êxtase quando decepcioná-la profundamente – como Bob Dylan. Quando Robert Plant, o ex-vocalista do Led Zeppelin, subiu ao palco do Espaço das Américas, em São Paulo, nessa segunda-feira (22), foi fácil perceber que ele é um exemplar – cada vez mais raro – do segundo grupo.

Acompanhado de sua nova banda, a Sensational Space Shifters, Plant fez um show que é coerente com sua idade e seu espaço na música pop atual. Há 33 anos, ele era parte de uma das maiores bandas de todos os tempos, uma rara combinação de energia contagiante que estava sempre prestes a explodir – e de fato explodia –, um amálgama de quatro músicos que poucas vezes será visto de novo no mundo. Mas as coisas mudaram: a voz de Plant não é mais a mesma, nem ele tem mais a mesma vitalidade de quando era a cara da Wanderléa – e, a se julgar pela apresentação em São Paulo, o homem das madeixas loiras sabe muito bem disso.

Na última segunda-feira, vi um dos shows mais bonitos que passaram pelo Brasil em 2012 - e acabei escrevendo sobre ele (e também sobre envelhecer com dignidade na música pop) para o Scream & Yell. O resto do texto você confere lá

21 de out de 2012

10 impressões sobre o Planeta Terra 2012

Expectativa é um negócio que mexe com a gente como o diabo. Se essa frase vale muito para a vida, vale mais ainda para esse tipo de reunião entre seres humanos chamada festival de música pop. Um exemplo: no semestre passado, empolgadíssimo com o Lollapalooza, acabei por razoavelmente me decepcionar com o resultado. Por outro lado, com o Planeta Terra 2012, minha maior esperança era ver um show bacana do Suede, uma banda que, confesso, nunca tinha escutado até dois meses atrás. E, pra variar, acabei me surpreendendo com o festival. Nas próximas linhas, tento contar em 10 textos rápidos o que rolou ontem, no Jockey Club de São Paulo. 

19 de out de 2012

As Vantagens de Ser Invisível


Toda vez que uma adaptação cinematográfica é anunciada, é de praxe que os fãs do livro original torçam o nariz, esperando o pior da versão para as telonas - especialmente se o roteiro é comprado por um grande estúdio de Hollywood. Felizmente, esse não é o caso de "As Vantagens de Ser Invisível" , romance que fez a cabeça dos jovens norte-americanos no final dos anos 1990, escrito por Stephen Chbosky aos 28 anos de idade.

Agora, aos 42, Chbosky assina o roteiro e a direção da versão para as telas de sua história, que estreia ao Brasil nesta sexta-feira (19), com Logan Lerman (“Percy Jackson e o Ladrão de Raios”) e Emma Watson (“Harry Potter”) nos papeis principais.

Narrado em primeira pessoa por Charlie (Logan Lerman), um garoto solitário que está prestes a entrar no Ensino Médio, “As Vantagens de Ser Invisível” é ambientado no começo da década de 1990, quando as pessoas trocam fitas cassete com suas músicas favoritas e podiam reclamar de não ter nada de bom para ver na TV... 

Resenhei pro iG Jovem nessa semana um dos meus filmes favoritos do ano, o indie-fofo-heartbreaker As Vantagens de Ser Invisível. Recomendo fortemente que você vá até o cinema mais próximo e veja - se não for pra rir, talvez para chorar com a cena em que o trio de protagonistas anda de carro em um túnel ao som de "Heroes", do David Bowie. O resto da resenha tá lá no iG Jovem - mas é bem provável que eu ainda fale mais sobre esse filme por aqui, que tem chances sinceras de ser o Clube dos Cinco da geração Y. 

17 de out de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Hamburgueria do Sujinho


Ao longo desses últimos meses comendo hambúrgueres e contando para vocês o que achei deles, posso dizer que aprendi algumas coisas sobre a vida. Uma delas é: você pode passar semanas a fio tentando encontrar aquele lanche especial que te fará sorrir por dias e dias e não conseguir., Mas, quando você menos esperar, esse sanduíche pode aparecer na sua frente como uma "promessa de felicidade", como diria Stendhal (citado aqui via Alain de Botton, em A Arquitetura da Felicidade). 

Exageros e metáforas à parte, foi mais ou menos isso o que aconteceu comigo no último sábado, quando o Marcelo Costa convidou a mim e às queridas Cristal Muniz e Polly Sjobon pra irmos à Hamburgueria do Sujinho (que é muito limpinha, por sinal), na rua da Consolação, após o bom show do Wado na Funarte. Antes de falarmos do lanche, dois avisos: fui recebido com um "Pode ser Pepsi" ao pedir uma Coca-Cola; e a casa não aceita cartões de crédito, então vá até lá munido de papel-moeda, aquela coisa colorida que parece quase antiquada nos dias de hoje. (ironic mode off). 

Enquanto esperávamos a chegada do Tiago Agostini, pedimos uma porção de batatas fritas tradicionais (R$ 15,00), que vieram acompanhadas de maionese e molho rosé. 

Apesar de muito bem servidas, as batatas acabaram rápido por três motivos básicos: a) logo de cara, dava para perceber que elas eram feitas pela própria casa, e não simplesmente retiradas do congelador direto pro óleo quente; b) pela excelente maionese (falo mais dela daqui a pouco); c) pela fome absurda que estávamos. O molho rosé, entretanto, é bem dispensável (tanto que, assim que o Agostini chegou, pedimos outra porção de fritas acompanhada apenas de dois potinhos de maionese). 

Assim como o The Fifties, a Lanchonete D'Sampa e o Frevinho, a Hamburgueria do Sujinho é uma daquelas casas que tem alguns lanches já montados pelo próprio estabelecimento, mas na qual vale mais a pena você escolher os ingredientes que quer no seu próprio sanduíche. Optei por um X-Maionese, com hambúrguer júnior (90g de carne) no lugar de um clássico (160g), que saiu por cerca de uns 12 reais. Como eu venho pregando há algum tempo nesta coluna, em matéria de hambúrgueres, menos é mais. 

E no caso da Hamburgueria do Sujinho, MUITO MAIS. Senhores, devo-lhes dizer que o mundo é bom e a felicidade até pode existir depois desse X-Maionese, que parece pequeno mas satisfaz. A maionese, embora seja pouca no lanche, é temperada com bastante salsinha e está naquele ponto exato de deixar a gente com água na boca (como a do Hamburguinho, lanche do qual quero falar o mais rápido possível aqui). O pão vem bem tostadinho, e o queijo, derretido na medida. Mas o ponto alto mesmo do lanche é a carne. Pedida ao ponto, ela chegou da chapa tostada por fora e vermelhinha por dentro. E foi paixão (correspondida) à primeira mordida. Pelo preço, pela maionese e pelo amor, soem as trombetas: temos um novo campeão. 

Nota: 4,8 fatias de bacon

1 - X-Maionese, Hamburgueria do Sujinho - Consolação (4,8)

14 de out de 2012

Entrevista S&Y: Garbage


No começo da semana passada, bati um papo rápido por telefone com o Duke Erikson, guitarrista do Garbage. Aos 61 anos de idade (mas se sentindo como um jovem de 21 empunhando sua guitarra), ele e sua banda vêm pela primeira vez ao Brasil para se apresentar no Planeta Terra Festival, no sábado (20), no Jóquei Clube de São Paulo. Falamos sobre "Not Your Kind of People", disco lançado em março pelo Garbage após um hiato de sete anos, a turnê pelo Brasil e a estranheza pop de suas canções. 

Além disso, Duke falou sobre o revival dos anos 1990 ("Não me sinto incluído nele") e botou fé no renascimento do rock: "Nesse exato momento tem alguém fazendo barulho em uma garagem, e logo logo esses caras vão colocar o mundo de ponta-cabeça de novo". O resto você confere lá no Scream & Yell.

7 de out de 2012

Entrevista: SILVA

No final de agosto, conversei com o cantor Lúcio Silva, mais conhecido como SILVA, para o iG Jovem. Falarmos sobre a carreira dele até aquele momento e o disco que ele está lançando agora em outubro, Claridão. Feito na casa do cantor, o álbum contará com 12 faixas, sendo 7 delas inéditas, com produção e distribuição do Slap, selo da gravadora Som Livre dedicado a novos (e na maior parte das vezes, interessantes) artistas. 

Só para ter uma ideia, o Slap também foi responsável por Feito pra acabar, do Marcelo Jeneci, e Anormal, do Jonas Sá, um disco que pouca gente ouviu, mas que merece muita atenção por seus refrões pop bem gostosos. Mas voltemos ao SILVA: descobri o som dele há pouco tempo, depois que amigos insistiram bastante para que eu prestasse atenção no EP que o cara lançou no ano passado.



E bastaram poucas audições para que eu me apaixonasse pelas letras do cara e pelas incríveis texturas sonoras que ele usa em suas canções, misturando sintetizadores e baterias eletrônicas com arranjos de cordas e sua voz, econômica, mas muito bem postada com a mensagem que quer passar. E preste atenção em “Imergir”, uma das mais bonitas canções de desamor escritas no Brasil nos últimos, sei lá, cinco anos. 

O que publico aqui – e espero que vocês leiam - é uma versão sem cortes do que conversamos por telefone, numa ligação São Paulo-Vitória, em uma tarde modorrenta de calor por aqui. Com a palavra, SILVA.